Ministério da Justiça
Brasil um país de todos

  Anistia Política
  Cadastro de Cartórios
  Classificação Indicativa
  Direitos Difusos
  Microfilmagem
  Organizações Estrangeiras
  OSCIP
  Utilidade Pública Federal
  CNEs
 Serviços
Entrevista
Estrutura
Eventos
Fotos
Legislação
Mapa
Notícias
Processos
Publicações
Seleção de consultores
Cidadania  »   Anistia Política  »   Notícias

12/01/2010 - 18:50h

Anistia julga processos de filhos e netos de perseguidos políticos

Brasília 12/01/2010 (MJ) – Brasileiros que sofreram perseguição política em função da militância de seus pais ou avós durante o regime militar (1964-1985) terão seus processos julgados nesta quarta-feira (13) na Comissão de Anistia do Ministério da Justiça.

São filhos e netos de pessoas que tiveram papel destacado no combate ao regime e que entraram na clandestinidade ou foram fichados, presos, torturados, banidos ou exilados do país juntos com os pais e avós. Há casos de pessoas que nasceram nas prisões e também relatos de tortura de crianças que resultaram em seqüelas permanentes.

Serão apreciados 16 processos. Entre eles, os de José Vicente Goulart Brizola, Neusa Maria Goulart Brizola e João Octavio Goulart Brizola, filhos do ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, Leonel Brizola. Dois deles estarão presentes à sessão da Comissão de Anistia, marcada para as 14h, na Sala de Retratos, do Ministério da Justiça, em Brasília.

José Vicente, Neusa e João Octávio tiveram que sair do país em 1964, quando seu pai teve os direitos políticos cassados pelos militares logo após o golpe de 1º de abril. Eles acompanharam Brizola no exílio no Uruguai, Estados Unidos e Portugal. A família voltou ao Brasil com a Lei da Anistia de 1979.

Também devem comparecer à sessão João Vicente Fontella Goulart e Denise Fernandes Goulart, filhos do ex-presidente João Goulart, deposto pelo golpe militar de 1964. Os dois foram exilados com o pai na Argentina e no Uruguai e impedidos de voltarem ao país.

Eduarda Crispim Leite é mais uma filha de militante que estará no julgamento. Ela não conheceu seu pai, Eduardo Leite, o Bacuri, assassinado em 1970, quando sua mãe, a também militante Denise Peres estava grávida e foi presa.

A militante foi torturada quando estava com cinco meses de gestação de Eduarda. Eduarda foi ainda bebê para o exílio no Chile com a mãe e depois para a Itália, onde vive até hoje. Esta é a primeira vez que virá ao Brasil.

Registrada sem o nome do pai, ela teve o direito de colocar o nome de Eduardo em seus documentos há apenas um mês, após decisão da Comissão de Anistia, que declarou sua mãe, Denise, anistiada política.

Também será julgado o processo de Luiz Carlos Ribeiro Prestes, filho do ex-secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro Luiz Carlos Prestes. Conhecido como Luiz Carlos Prestes Filho, ele nasceu em 1959, no Rio de Janeiro, quando seus pais estavam como clandestinos. Com o golpe militar, ele teve que partir para o exílio aos 10 anos de idade. Foi para a União Soviética, onde estudou Cinema. Ele não possui seus diplomas reconhecidos até hoje no Brasil. Prestes Filho estará presente à sessão em companhia de sua mãe, Maria do Carmo Ribeiro, 80 anos.

Ainda serão apreciados os processos:

  • Magnólia de Fiqueiredo e Claudia Cavalcanti, filha e neta, respectivamente, de Paulo Cavalcanti, acusado de ser "esquerdista, comunista e comunizante". Preso várias vezes, atuava como advogado para inúmeros presos políticos, como Gregório Bezerra, Miguel Arraes e Pelópidas Silveira. Cláudia, com apenas seis meses de vida, e Magnólia foram detidas com o pai e avô.

  • Nascida no exilo, Ñasaindy Barret de Araújo é filha dos militantes Soledad Barret e José Maria, mortos pela ditadura. Ñasaindy conseguiu voltar ao Brasil somente em 1996.

  • Samuel Ferreira foi preso aos oito anos e depois internado na Casa de Plantão do Juizado de Menores de São Paulo, onde foi torturado.

  • Zuleide Aparecida, neta de Tercina Dias de Oliveira, foi presa aos 4 anos em São Paulo e levada para a OBAN. Foi trocada pelo embaixador alemão, Ehrenfried Anton Theodor Ludwig Von Holleben, seqüestrado em 1971. Viveu exilada em Cuba até 1986.

  • Carlos Alexandre Azevedo, filho do jornalista Dermi Azevedo, foi levado ao DOPS de São Paulo aos dois anos juntamente com a babá. Torturado junto com sua mãe e seu pai.

  • Os irmãos Adilson, Ângela e Denise Lucena foram presos menores de idade e banidos do país juntos com sua mãe, Damaris Oliveira Lucena, militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). O pai foi morto na frente das crianças. Damaris Lucena, além de cuidar de seus filhos, assumiu os cuidados de Ñasaindy Barret, depois que Soledad foi morta.

Busca
Ok
Buscar somente no tema Cidadania
Meus Dados
Banner de ligação com o Fale Conosco
Banner de ligação com o Tire suas Dúvidas
Retorna Sobe